Avaliar riscos é julgar, de forma contínua e sistemática, a chance de ocorrência de uma lesão ou agravo e a magnitude de suas consequências. A matriz é apenas uma ferramenta possível; a qualidade depende de critérios explícitos, informações adequadas e coerência entre classificação e decisão.
Base normativa e alcance
A NR-1 exige um nível de risco para cada risco, determinado pela combinação de severidade e probabilidade. A ferramenta deve ser adequada ao risco ou circunstância.
Critérios de gradação, níveis, classificação e tomada de decisão devem ser detalhados em documento.
Como interpretar o requisito
A maior consequência plausível deve orientar a severidade quando houver mais de uma. Já a probabilidade muda conforme o tipo de perigo: exposição, requisitos legais, eficácia dos controles e exigências da atividade podem ter pesos diferentes.
Não basta produzir uma cor. É necessário explicar que informação levou à classe e que decisão decorre dela.
Aplicação passo a passo
Uma implantação consistente pode seguir a sequência abaixo, adaptada à natureza e à complexidade da organização:
- Defina escalas de severidade e probabilidade.
- Estabeleça regra de combinação e classes.
- Crie critérios de decisão para cada classe.
- Selecione técnica compatível com o risco.
- Considere requisitos legais e eficácia dos controles.
- Registre dados, incertezas e justificativa.
- Classifique e direcione ao plano.
- Reavalie risco residual após medidas.

Quadro prático para consulta
A tabela resume o raciocínio operacional e deve ser lida em conjunto com o texto oficial vigente e as particularidades da atividade.
| Tipo | Elementos de análise | Referência de apoio |
|---|---|---|
| Físico, químico e biológico | Perfil de exposição, valores ou critérios e eficácia | NR-9 e anexos aplicáveis |
| Ergonômico e psicossocial | Exigências da atividade e eficácia das medidas | NR-17, AEP/AET e GRO |
| Acidente | Exposição ao perigo e eficácia das medidas | Atividade, cenário e NRs específicas |
| Todos | Cumprimento de requisitos legais | NRs e legislação aplicável |
Como levar para a rotina
Teste o método em cenários conhecidos. Se resultados semelhantes recebem classes muito diferentes sem justificativa, os critérios precisam de ajuste.
Use revisão técnica para riscos críticos e registre divergências. A transparência do julgamento é mais importante do que aparentar precisão matemática.
- Documento de critérios.
- Dados de exposição e atividade.
- Eficácia dos controles existentes.
- Memória de cálculo ou justificativa.
- Classificação e decisão vinculadas.
Erros que enfraquecem a conformidade
Os problemas abaixo costumam romper a ligação entre avaliação, prevenção e evidência:
- Copiar matriz sem critérios.
- Tratar toda probabilidade do mesmo modo.
- Reduzir severidade porque o evento é raro.
- Avaliar controle existente como sempre eficaz.
- Não registrar incertezas.
- Manter classe após mudança sem reavaliar.
Documento não substitui processo. A consistência deve existir entre o que foi registrado, as condições reais, a participação dos trabalhadores e as medidas efetivamente implementadas.
Checklist de revisão
Antes de encerrar a análise, confirme os pontos a seguir e registre pendências no plano de ação:
- A ferramenta é adequada?
- As escalas são compreensíveis?
- A maior consequência plausível foi considerada?
- A probabilidade usa dados pertinentes?
- A decisão decorre da classe?
- O risco residual será revisto?
Conteúdos relacionados para aprofundar
Dúvidas comuns sobre o tema
A NR-1 exige matriz 5x5?+
Não. A organização escolhe ferramentas e técnicas adequadas, desde que documente critérios e produza uma avaliação coerente.
Severidade e probabilidade têm o mesmo peso?+
A norma exige a combinação, mas não impõe uma fórmula universal. O método deve ser adequado e tecnicamente justificado.
Risco baixo pode dispensar acompanhamento?+
A classificação orienta manutenção ou adoção de medidas; controles existentes precisam continuar acompanhados conforme o contexto.
Conteúdo pesquisado e revisado a partir de publicações dos órgãos responsáveis.

